Desistir também é para os fortes*

Existem momentos decisivos na vida, nos quais temos de admitir que aquele sonho que tanto acalentamos não se realizará.

É algo muito doloroso. Afinal, investimos muito nele – e não falo de dinheiro.

Quantas noites mal-dormidas? “Quebrando a cabeça”, pouco importando se era três da manhã e o despertador tocaria às seis, pensando em uma maneira de transformar em realidade o que existe apenas em ideias. E insistindo nisso, mesmo quando tudo indicava que não ia dar.

Dizem que desistir é para os fracos. Concordo parcialmente. Há quem desista diante da primeira dificuldade.

Agora, não é nada sábio seguir por um caminho que, está na cara, vai dar em nada ou em um lugar nada agradável. Sábios são os que percebem o erro e o corrigem antes do estrago ser maior. E assim têm a oportunidade de buscar outra coisa, não necessariamente possível, mas que ao menos corresponde a um novo sonho.

Desistir de algo no qual muito se investiu e do qual não se obteve nenhum retorno, e que não dá a menor perspectiva de ser diferente, isso sim é para os fortes. Que terão de aguentar os olhares desaprovadores dos metidos a otimistas, que acreditam cegamente naquele papo furado de que “basta se esforçar muito para chegar lá”. Mesmo que o objetivo fosse algo do tipo o seu time fazer um gol tendo o Barcos como centroavante.


* Texto publicado originalmente em 06/06/2014, no Cão Uivador. Na época o Barcos era centroavante do Grêmio e perdia gol atrás de gol – mais adiante, resolveu começar a marcar, só para me contrariar.

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